Observação em La Palma: dia 3

Escrito em 19/04/2014

Hoje foi mais um dia de exploração, mas desta vez fomos mais longe. Após um café da manhã bastante farto, partimos para uma caminhada pela montanha. Com o céu completamente aberto e o nível de radiação ultra-violeta no máximo, meus companheiros europeus tiveram que usar e abusar de protetor solar.

O ar aqui em cima é extremamente seco, e por isso escalar uma montanha não é tarefa fácil, principalmente quando o terreno não é muito estável (ele é composto basicamente de areia grossa e pedregulhos). Eu estou acostumado com ambientes mais rarefeitos, pois nasci e vivi a mais de 800 metros de altitude (claro que não se compara aos 2.500+ metros aqui), mas os “flatlanders” da Holanda têm mais dificuldade para respirar, já que vivem a nível do mar.

Caminhada pela montanha durante uma ensolarada e seca tarde

Caminhada pela montanha durante uma ensolarada e seca tarde

Mais tarde, mais exploração. Desta vez, fomos de carro até o topo da Ilha de La Palma, o Roque de Los Muchachos. Eu não tenho palavras suficientes em meu vocabulário para tentar descrever as sensações que tive quando estava lá, mas posso dizer que foi uma das experiências mais intensas que já tive na vida: o medo de escorregar e cair no precipício (já que estávamos na borda da caldeira) misturado com o vislumbre pela paisagem exótica proporcional um torpor capaz de me fazer esquecer de tudo; a mente se desliga do resto do mundo, e é como se fosse apenas você e a montanha, e mais nada.

A atmosfera no alto do vulcão é tão dinâmica, que em um minuto a porção interna da caldeira está completamente coberta por nuvens, e em outro minuto as nuvens se foram e abriram as cortinas para a belíssima paisagem guardada em suas profundezas. E claro, os telescópios nas cristas da montanha ajudam a criar a composição. São momentos como esses que me fazem sentir cada vez mais orgulho da profissão que escolhi. Aí vão algumas fotos não processadas, e fique de olho no meu Flickr para conferir outras fotografias que eu irei trabalhar nos próximos dias.

Acima das nuvens, no topo de La Palma, Roque de Los Muchachos

Acima das nuvens, no topo de La Palma, Roque de Los Muchachos

...

Mas vamos ao que mais interessa: a observação. Que não aconteceu. Novamente, o tempo nos pregou uma peça e o céu permaneceu encoberto durante toda a noite. Eu conversei com um dos astrônomos locais, e ele me apontou que o tempo nos últimos dias tem sido bastante incomum para a época do ano, com mais nebulosidade do que o esperado. Ele também disse que La Palma é um ótimo observatório durante o verão, mas não é um dos melhores para o inverno, e que a situação atual é uma transição entre esses dois períodos. Mas, para todos os efeitos, aparentemente nós estamos passando por uma onda de má sorte.

Nessa noite, nós abrimos o domo do telescópio por apenas alguns minutos, mas ele teve que ser fechado por causa da velocidade do vento. E isso provavelmente foi o mais perto que chegamos de fazer algo mais astronomicamente prática. Infelizmente, voltamos para La Residencia de mãos vazias. Ou quase, pelo menos adquirimos um pouco mais de experiência, que nunca é demais.

Aí vai mais uma foto do céu noturno parcialmente nublado que tanto nos atormenta nos últimos dias

Aí vai mais uma foto do céu noturno parcialmente nublado que tanto nos atormenta nos últimos dias

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