Asteroide 99942 Apophis

Imagem em falsas cores infravermelho do asteroide Apófis, obtida pelo observatório Herschel. Crédito: ESA/Herschel/PACS/MACH-11/MPE/B.Altieri (ESAC) and C. Kiss (Konkoly Observatory)

Imagem em falsas cores de infravermelho do asteroide Apófis, obtida pelo observatório Herschel. Crédito: ESA/Herschel/PACS/MACH-11/MPE/B.Altieri (ESAC) e C. Kiss (Observatório de Konkoly)

Viver no Sistema Solar é perigoso. Uma vez a cada alguns milhões de anos, a Terra sofre um impacto catastrófico de algum objeto oriundo dos confins do espaço. Ainda bem que o tempo de vida de um humano normal é de apenas algumas dezenas de anos, o que é um estalo de dedos na escala de tempo astronômica, e por causa disso, na história recente, nós presenciamos pouquíssimos impactos.

Felizmente, o planeta Júpiter consegue capturar uma série de objetos que eventualmente ameaçariam a vida na Terra, devido à sua gravidade. Talvez ele seja mesmo um “deus”, assim como o nome que deram ao planeta gigante. No entanto, às vezes Júpiter fica ocupado demais, encarregado com suas tarefas divinas de salvar o humanidade de cometas e asteroides, e acaba deixando passar um ou outro.

Ok, deixando as metáforas de lado, é bem provável que você tenha ouvido falar de Apófis (ou 99942 Apophis): é o asteroide que ameaça ameaçava de se chocar com a Terra em 2029 2036. Ele fez uma aproximação com o nosso planeta nesta semana, passando a aproximadamente 13,8 milhões de quilômetros de distância de nós, e alguns astrofotógrafos aproveitaram a oportunidade para imagear o objeto.

Legal, né?

Com uma magnitude na casa de 16, ele é visível somente para os telescópios mais poderosos. Mas essa aproximação foi bastante útil para que astrônomos calculassem melhor a trajetória deste, até então, perigoso asteroide. Antes, a probabilidade de Apófis impactar a Terra em 2036 era de aproximadamente 1 em 250 mil: maior que a chance de você sair na rua e ser atingido por um raio na cabeça, mas menor que a chance de você ter filhos trigêmeos em condições normais. Agora, com os novos cálculos, a probabilidade caiu para zero, mas também descobriu-se que o seu tamanho é ainda maior: aprox. 325 metros de diâmetro. Apófis definitivamente não vai destruir a humanidade. Mas ele ainda pode causar uns estragos.

Em 2029, ele vai fazer uma aproximação ainda mais rente ao nosso planeta, como você pode ver na figura abaixo (a barra branca é a incerteza da trajetória). Ele vai passar entre a Terra e a Lua, em uma distância mais baixa que a dos satélites artificiais, e poderá destruir alguns deles. Se de repente você ficar sem sinal de TV ou GPS (ou seja lá qual for a tecnologia equivalente no futuro) em 2029, vai ser por causa dele.

Trajetória de aproximação do asteroide Apófis em 2029

Trajetória de aproximação do asteroide Apófis em 2029

As incertezas no estudo de asteroide e outros objetos parecidos se deve principalmente ao tamanho deles: em telescópios, não passam de simples pontos (ou pixels), e essa é única informação que temos. Não é possível você acoplar uma régua e simplesmente medir o seu tamanho. No entanto, a luz carrega muitas informações, principalmente quando analisada em diferentes comprimentos de onda.

Ao analisar o albedo do asteroide Apófis, astronômos do Near-Earth Object Program no JPL (Jet Propulsion Laboratory), da NASA, conseguiram estimar melhor a composição, o tamanho e a massa do objeto, e foi assim que a incerteza do impacto em 2036 caiu de 1:250.000 para 1:1.000.000, o que é bastante reconfortante para nós.

Um impacto de um asteroide do tamanho do Apófis poderia ser catastrófico. Apesar de não dizimar completamente a humanidade, a nuvem de material levantada pelo choque iria cobrir todo o planeta, mais ou menos como os vulcões fazem, só que em uma escala bem maior. Isso nos causaria problemas de saúde devido à inalação de partículas, além de diminuir a quantidade de radiação solar que chega aqui e consequentemente afetar a nossa produção de alimentos.

Bom, agora o que nos resta é casualmente observar e estudar esta ex-ameaça, e torcer para que o diviníssimo planeta Júpiter continue fazendo o bom trabalho que ele vem realizando há milhares de anos.

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