Stellarium: tutorial

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Cartas celestes são coisa do passado! Ou quase, se você considerar que um pedaço de papel é mais portátil do que um computador. Mas o Stellarium é muito mais do que uma carta celeste digital, ele é um planetário em tempo real. Ele é tão legal que, enquanto escrevi este post, fiquei uma boa parte do tempo explorando o céu (já que o tempo aqui tá fechado). A única coisa que eu não gosto é a impossibilidade de rodar o programa em uma janela (ele fica todo o tempo em tela cheia). Instalar e usar este software é bem fácil e intuitivo. O site oficial, apesar de ser informativo, não tem textos em linguagem muito amigável, e este tutorial serve justamente para sanar este problema.

Básico do básico

A instalação é simples. Basta clicar no link correspondente ao seu sistema operacional na página inicial do programa, baixar o arquivo executável e rodá-lo. Usuários mais experientes podem querer compilar o programa através do source, mas se você é um desses usuários, provavelmente não precisa deste tutorial.

Depois é necessário fazer as configurações. A principal delas é estabelecer a sua localização na Terra. Para isso, aperte F6 ou clique no botão de “janela de localização”. Se a sua cidade estiver disponível no banco de dados do programa, basta procurar na lista (por mais incrível que pareça, a minha cidade no interior de Minas Gerais estava disponível!). No caso negativo, será necessário digitar as suas coordenadas. Eu recomendo que você entre no Google Earth e anote as coordenadas do seu local de observação. O padrão que o programa usa é S XX° XX’ XX” (hemisfério sul) ou N XX° XX’ XX” (hemisfério norte) na latitude e W XX° XX’ XX” (oeste de Greenwich) ou E XX° XX’ XX” (leste de Greenwich) na longitude. Também é bom você digitar a sua altitude.

Além disso, eu recomendo que você configure algumas linhas de referência. Para isso, aperte F4 ou clique no botão “janela para opções de céu e visualização”. Dê uma explorada lá e marque tudo que lhe for útil ou interessante. Como astrônomo amador, eu uso bastante as coordenadas equatoriais, e por isso deixo essa grade marcada, além de objetos como nebulosas e planetas. Eu também gosto de deixar marcado os asterismos das constelações (tem um atalho na barra inferior para ligar e desligar esta opção), porque eu as uso bastante para orientação (e também para conseguir identificá-las no céu, como uma forma simples de entretenimento e imersão).

Tunando o Stellarium

Enquanto você se diverte identificando as constelações e simulando o seu planetário pessoal, eventualmente você vai querer usá-lo como carta celeste. Para ter uma experiência melhor, eu recomendo que você instale os pacotes de objetos débeis (faint objects), que são basicamente estrelas de magnitude alta. Elas são úteis para você guiar seus binóculos ou seu telescópio através de star-hopping, caso você não tenha um daqueles caríssimos tripés automatizados. Para fazer isso, entre na “janela de configurações” (ou aperte F2), clique na aba “ferramentas”, e na parte de baixo, aperte o botão para fazer o download do catálogo (tem vários, você precisará instalá-los um a um, e eles são cada vez maiores, portanto tenha paciência).

Outra ferramenta útil é o plugin de oculares, que pode ser configurado em “janela de configuração” > aba plugins. Ative-o, reinicie o Stellarium, aí volte na mesma janela, clique no nome do plugin e clique em “configurar”. Eu recomendo que você salve as suas oculares na aba eyepieces, pois pode ser útil para você se orientar quando estiver observando o céu com o seu telescópio, e também para ter uma ideia da aparência e o tamanho dos objetos no seu equipamento. Para isso, será necessário digitar as especificações das suas oculares (as principais são o campo de visão linear – aFOV e o focal lenght). Você também pode salvar a especificação de seus binóculos (o plugin já vem com o Celestron SkyWatcher 15×70 salvo). Também é interessante configurar seu telescópio, na aba telescope.

As especificações de seu equipamento podem ser encontradas no manual ou na caixa, ou então você pode mandar um email para os fabricantes (uma vez eu fiz isso e a Celestron respondeu em menos de 24 horas). No desespero, você pode tentar entrar em contato com a loja que fez a venda. Se você leu o meu post sobre equipamentos para astronomia, provavelmente não cometeu a gafe astronômica de comprar um telescópio ou binóculos no WalMart supermercado ou no MercadoLivre em leilões na internet. Certo? CERTO? Ok.

Outro plugin legal é o de satélites. Chega até a ser meio engraçado ver o desenho dos satelitezinhos cortando o céu no Stellarium. É interessante para você saber qual foi o satélite que cortou o céu naquele exato momento aleatório em que você olhou para o céu e deu sorte de vê-lo passando. Eu só não sei se ele é muito bom na previsão do horário de passagem dos satélites, pois eu vi uma diferença de 10 minutos entre a previsão do Heavens-Above e a do plugin. Eu confio mais no primeiro, pois ele (quase) sempre acertou as previsões comigo.

Adicionando minor planets, cometas e asteroides

Para adicionar outros objetos do Sistema Solar que não são planetas, luas e o Sol, você precisará do plugin “Editor do Sistema Solar”. Mas tome muito cuidado ao mexer neste plugin. Ele pode deixar o Stellarium extremamente lento a ponto de travar seu computador. Ative-o, reinicie o programa, vá na janela de plugins novamente e clique em configurar.

Vários planetas-anões e luas já vem no plugin, e para vê-los basta clicar na aba Solar System. Para adicionar asteroides e cometas, clique no botão “Import orbital elements in MPC format…”, selecione o tipo de objeto que quer adicionar (asteroids ou comets), selecione Download a list of objects from the internet e logo embaixo vai ter uma caixa na qual você deverá escolher a fonte de onde tirar as informações sobre os objetos. A escolha fica a seu critério.

Depois disso, clique em “Get orbital elements”, e é aqui que o bicho pega. A lista de objetos é imensa. Se você quiser adicionar todos, tenha em mente que precisará de um computador monstro (como a máquina profissional que eu uso na universidade) para aguentar o tranco de tanta informação. Caso seu computador seja uma carroça (como a minha máquina pessoal), limite-se a escolher os objetos que mais te interessam como, por exemplo, os cometas visíveis a olho nu ou em binóculos e telescópios durante 2013.

Há outros jeitos de adicionar objetos (por exemplo, sem estar conectado à internet) e outras fontes de informação. Mas eu não vou falar sobre isso neste post, você pode dar uma googleada se estiver interessado.

Se alguma coisa der errado, o Stellarium ficar muito sobrecarregado e você não conseguir retornar à configuração anterior, vá até a pasta do programa, entre na pasta “data” e delete o arquivo ssystem.ini. Se você usa o Windows, a pasta em questão geralmente fica em C:/Users/-usuário-/AppData/Roaming/Stellarium.

Explore!

Stellarium é um programa fantástico. Eu sugiro que você passe um bom tempo aprendendo a mexer nele e nas suas várias opções.

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Uma resposta para “Stellarium: tutorial

  1. Muito legal seu tutorial, vou aproveitar as dicas sobre os plugins.
    Sobre rodar em janela, experimente F11, ou clique no botão logo à esquerda da opção de satélites, também funciona. ;)
    Abraço!

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