Top 10 melhores momentos astronômicos de 2012

Nebulosa da Lagoa. Crédito: ESO

Nebulosa da Lagoa. Crédito: ESO

Neste momento, escrevo este texto sob a luz de uma Lua quase cheia, em conjunção com o planeta Júpiter, ambos na constelação de Touro. Está muito calor, deve fazer mais de 30 graus Celsius no meu quarto, mas aqui fora não passa dos 20. Disclaimer: este é um post bastante pessoal, ele não retrata os melhores momentos da Astronomia (que foram muitos e cada um tem a sua própria lista), mas sim aqueles que mais marcaram o meu ano e minha experiência como astrônomo.

2012 foi um ano bastante… intenso. Muita coisa aconteceu, desde episódios trágicos até momentos de grande realização. Foi neste ano também que eu me tornei “alguém na vida” e finalmente encontrei meu lugar no universo: um explorador. Eu compartilho aqui os acontecimentos mais importantes dessa fase, e se você quiser entrar na brincadeira, fique à vontade em comentar!

10) Ganhar um telescópio

Equipamentos de astronomia são caros, muito caros. Desde que eu havia decidido seguir o caminho de astrofísico, eu sonhei em ter meu próprio telescópio. E o momento em que eu ganhei um foi bastante marcante para mim, porque este, em particular, foi mais ou menos como um “presente póstumo” de meu pai, e eu nunca vou esquecer o que ele fez para permitir que isso acontecesse.

Um objeto celeste de magnitude 10: Gliese 876

9) Ver um meteoro cortar o céu durante uma aula prática de Astronomia

Meu curso na universidade é noturno, mas, curiosamente, alguém teve a ideia de jerico de colocar as aulas práticas de Astronomia no sábado de manhã! Exatamente na única oportunidade que tivemos de ter uma aula de observação noturna, a data coincidiu com a chuva de meteoros Northern Taurids, o que resultou em alguns meteoros para alimentar a curiosidade dos alunos, e um deles (o que eu vi) estava tão brilhante quanto Júpiter! Nesta noite eu também tive a oportunidade de ver a Galáxia de Andrômeda com meus próprios olhos pela primeira vez.

Um objeto celeste de magnitude 9: Galáxia do Sombreiro 

8) Observar estrelas e fazer anotações

Quando eu ganhei meu telescópio, eu fiquei extasiado pela quantidade de detalhes que era possível observar no céu, e meu primeiro instinto foi começar a anotar algumas das características de objetos (principalmente estrelas) que eu observava, como cor e binaridade. O legal é que, de tanto você observar estrelas, você acaba “treinando” a sua visão para perceber as suas diferentes tonalidades, mesmo a olho nu. Antes, para mim, todas as estrelas eram pontos brilhantes no céu, e hoje em dia eu consigo facilmente identificar estrelas vermelhas, brancas e azuis (estas são mais difíceis), sem a necessidade de um CCD ou equipamento parecido.

Um objeto celeste de magnitude 8: Netuno

7) Passeio pela constelação de Carina

Se você tem um telescópio ou um binóculo, eu recomendo fortemente que você aponte suas lentes (ou mesmo seus próprios olhos, caso você não tenha um equipamento) para a constelação de Carina. A quantidade de estrelas, nebulosas e aglomerados naquela região é simplesmente estonteante. Quando eu ouvi falar que o hemisfério sul possui um céu “mais rico”, não dei muito crédito para tal afirmação, até eu ver a riqueza desta constelação.

Um objeto celeste de magnitude 7: Nebulosa do Haltere (Dumbell Nebula)

6) Astrofoto de Saturno

saturn2

Esta foi a minha primeira (e uma das únicas) astrofoto que eu tirei, durante o outono, quando Saturno estava na melhor época para observação (no zênite). Eu obtive esta imagem com uma simples webcam genérica em um telescópio de 127 mm de abertura, em uma noite com Lua crescente (utilizei os softwares SharpCap e Registax 6).

Um objeto celeste de magnitude 6: Nebulosa da Águia

5) Visitar o LNA e o OPD

Foram duas visitas diferentes: eu fui à sede do LNA pela primeira vez para fazer uma entrevista para oportunidade de pesquisa, e pude ver como as coisas funcionam por lá; eu achei interessante o prédio possuir uma guarda militar bastante severa. Posteriormente, em setembro, eu visitei o OPD (Observatório do Pico dos Dias), durante o evento “LNA de portas abertas”. Você pode conferir meu relato neste post.

Um objeto celeste de magnitude 5: Galáxia do Triângulo

4) Observar a ocultação de Júpiter

Eu não imaginava que este evento seria tão legal. Digo, é apenas uma ocultação, a Lua entrando na frente de um objeto, será que é assim tão espetacular? Sim, é. Ainda mais quando é um planeta. Ver o disco de Júpiter, com suas bandas avermelhadas e as luas galileanas, sendo encoberto pelo nosso satélite é, no mínimo, impressionante quando visto em um telescópio. É como se fosse uma espécie de eclipse. E a experiência é ainda mais legal se você tiver pessoas por perto para compartilhar o momento!

Um objeto celeste de magnitude 4: estrela Eta Carinae (atualmente – seu brilho é variável)

3) Encontrar a Nebulosa da Lagoa por acaso

Em uma noite do começo do inverno, eu montei meu telescópio no escuro, e não deu para alinhá-lo. Então decidi fazer “passeios descompromissados” pelo céu, simplesmente observando o que quer que entrasse em meu campo de visão. Primeiro, eu consegui ver um aglomerado aberto na constelação de Vela (não me recordo qual era), mas depois fui dar uma volta em Sagitário, e de repente me deparo com uma estranha nebulosidade, recheada de estrelas. Eu tinha chegado, completamente por acaso, em uma das mais belas nebulosas que podem ser vistas “ao vivo” (sem CCD): a Nebulosa da Lagoa. Se você tem um telescópio ou binóculos, não hesite em visitar este local!

Um objeto celeste de magnitude 3: Aglomerado de Ptolomeu

2) Ver um bólido na chuva de meteoros Leonids

Eu falei sobre este episódio neste post. Era uma noite de céu aberto e Lua nova, perfeita para observação de meteoros. Mas eu estava absurdamente cansado naquele dia, e acabei me rendendo à persuasão de minha cama; no entanto, decidi dar uma última olhadinha no céu, só para tentar a sorte… e foi e melhor decisão que eu poderia ter feito: olhando na direção norte, eu testemunhei uma enorme bola de fogo cair lentamente, deixando um belo rastro vermelho no céu. Todo a minha pele arrepiou. Eu fiquei mesmerizado, quase como um leve estado de choque.

Um objeto celeste de magnitude 2: Alphard (uma das minhas estrelas favoritas)

1) Observar a Nebulosa de Órion pela primeira vez

Quando eu ganhei meu telescópio, eu passei um bom tempo observando apenas estrelas e os planetas. Um certo dia, após ouvir um episódio do Astronomy Cast (não lembro exatamente qual) no qual eles falam sobre a Nebulosa de Órion e o quanto ela é awesome, eu decidi apontar meu telescópio para lá. E foi bastante fácil, pois este é um objeto visível a olho nu, até mesmo com um pouco de poluição luminosa. Era uma noite de Lua Nova, céu limpo e Órion estava no zênite, e você já deve imaginar o resultado: uma das mais impressionantes e belas imagens do céu surgiu em frente a meus olhos. Eu passei mais de uma hora contemplando o objeto, tentando entender sua forma e o posicionamento das estrelas na nuvem, e posteriormente fiz um esquema da nebulosa em meu caderno, como se eu tivesse acabado de descobrir algo extraordinário que iria mexer com todo nosso conhecimento astronômico. Se você acha bonita aquela imagem da Nebulosa de Órion obtida pelo telescópio Hubble, eu recomendo que você veja com seus próprios olhos, e sinta a mesma sensação que eu tive. Foi uma das maiores descargas de endorfina que eu já tive na vida.

Um objeto celeste de magnitude 1: Nebulosa de Eta Carinae

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