Coluna pessoal, ed. 2: tempo, planos, livros

"Eu quero conhecer um viajante do tempo"

“Eu quero conhecer um viajante do tempo”

Especialistas em life-hacking dizem que a expressão “não ter tempo para algo” não faz nenhum sentido prático. Todos os habitantes do planeta Terra têm exatamente (descontando os efeitos da relatividade) a mesma quantidade de tempo em um dia: 24 horas. Eles defendem a ideia de que sempre temos tempo: acontece que atribuímos diferentes níveis de importância para os afazeres, e aquilo que não é tão importante, usamos a desculpa de não ter tempo para fazer.

Eu me sinto meio incomodado com essa ideia, mas ela realmente faz sentido. Ultimamente eu tenho até evitado de usar a expressão “não ter tempo”. Este foi um semestre bastante intenso na universidade: eu não sei se isso é normal na vida de um graduando em ciências, ou se sou eu que tenho problemas para gerenciar meu tempo. A questão é que eu acabei passando muitas e muitas horas estudando equações diferenciais, mecânica, eletromagnetismo e afins, e acabei não conseguindo me dedicar à astronomia o tanto quanto eu queria.

E isso me deixa preocupado, porque significa que entre as obrigações universitárias e a astronomia, eu dei prioridade à primeira. Isso levanta muitas dúvidas na minha cabeça. Eu acredito que o que me levou a ter esse posicionamento é uma voz no meu subconsciente dizendo [voz_divina=ON, eco=ON] “se você quiser se tornar um astrofísico competente, antes tem que se tornar um físico” [voz_divina=OFF, eco=OFF].

Eu queria ter feito muita coisa nos últimos meses, como ter avançado mais na minha pesquisa, praticar mais observação e astrofotografia, publicar mais no blog, estudar evolução estelar e programação em Python com seriedade… Eu definitivamente preciso aprender a gerenciar melhor meu tempo, e essas férias podem ser uma boa oportunidade. Sim, porque eu tenho planos para essas férias, que são exatamente os itens que eu listei no começo do parágrafo, com adição de uma boa revisão de cálculo diferencial (que é uma das minhas fraquezas atualmente).

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La persistencia de la memoria, de Salvador Dali

E uma das técnicas que eu pretendo usar para alcançar esse objetivo é a imersão. Isso é muito utilizado por life-hackers para aprender coisas com rapidez e eficiência. A imersão consiste em “mergulhar” no que você quer aprender ou fazer, reimaginando e organizando todo o ambiente à sua volta e suas atitudes de modo a lhe fazer pensar constantemente sobre o objeto de aprendizado.

Mas eu também vou precisar relaxar. E para isso, eu peguei uns livros na biblioteca da minha universidade que são de leitura leve e descompromissada; e, é claro, eles estão relacionados ao meu aprendizado, afinal eu quero imersão. Os livros que eu peguei foram:

  • Cosmos, de Carl Sagan: eu já vi 11 episódios da série de TV homônima, mas como os livros são sempre melhores que as adaptações para as telas, decidi fazer essa leitura
  • Via Láctea, Nossa Ilha no Universo, de Jacques Lépine: esse é um livro de um professor da USP, e é bastante recomendado para o público geral
  • Cosmologia Física, de Jorge Horvath (et al.): eu acho que esse livro é mais carregado de teoria, vai ser uma leitura mais avançada, até mesmo para mim, que ainda sou bastante verde em cosmologia

No mês passado comprei o livro The Grand Design, de Stephen Hawking e Leonard Mlodinow, pela Livraria da Física (adquiri a versão original em inglês, mas já há disponível em português: O Grande Projeto, publicado pela editora Nova Fronteira). Eu já li as obras anteriores de Hawking, e inclusive foram grandes inspirações para o meu interesse pelas ciências espaciais, e pelo ótimo preço de R$ 50, a obra mais recente desta grande figura da cosmologia vale cada centavo. Ele escreve com uma clareza impressionante as ideias mais complexas da física moderna, e mesmo quem não é da área tem a oportunidade de entender como o Universo funciona (ou pelo menos o jeito que nós o enxergamos). Apesar disso, eu ainda acho que os autores foram um pouco “presunçosos” em suas conclusões: a Teoria M e a cosmologia como um todo ainda tem muito o que avançar (nós ainda nem sabemos do que se tratam a matéria e a energia escuras!); isso passou a ideia de que eles parecem estar um pouco, digamos, apressados para fecharem o nosso conhecimento atual como a grande teoria unificada.

O legal de ler as obras de Stephen Hawking é ver como foi a evolução de suas ideias nos últimos anos. Por exemplo, no primeiro livro (Uma Breve História do Tempo), o autor ainda considera a possibilidade da existência de um “Deus”, ou algo que colocou as engrenagens do tempo para funcionar. Mas já em sua última obra (The Grande Design), ****início do SPOILER**** uma das principais conclusões que os autores chegam é de que não é necessário algo para o dar início ao Universo. ****fim do SPOILER****. Eu não sei se é certo falar em spoilers em um livro de ciências, mas eu ficaria muito bravo chateado se alguém chegasse e falasse pra mim as conclusões (que são bastante inesperadas e até “chocantes”) do livro.

Bom, voltando para a astronomia observacional: está impraticável no momento. Por quê? Olha isso:

Foto-0018

(Meu objetivo era tirar foto do arco íris, que está no meio da imagem)

Só dá nuvens!

Eu queria poder levar pra frente as minhas observações de estrelas variáveis, mas são raríssimas as noites de céu limpo durante o verão (2 ou 3 por mês, no máximo). Também já perdi a chuva de meteoros Geminids por causa desse tempo chuvoso, e do jeito que a coisa tá andando, também vou perder a oportunidade de observar os cometas no começo de 2013.

Mas… fazer o quê? Eu posso gerenciar o meu tempo cronológico, mas não o tempo climático.

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