Cometas em 2013

Cometa McNaught sobre o Oceano Pacífico, em 2007. Crédito: Sebastian Deiries/ESO

Cometa McNaught sobre o Oceano Pacífico, em 2007. Crédito: Sebastian Deiries/ESO

Até hoje, eu nunca tive uma oportunidade de observar um cometa, seja a olho nu ou em um telescópio. Cometas brilhantes como o Hale-Bopp (1997) e Hyakutake (1996) não foram tão espetaculares quanto no hemisfério norte, mas aqui no hemisfério sul tivemos o McNaught (2007), que esteve visível a olho nu. Eu não lembro o que eu estava fazendo nessa época, mas aparentemente nem fiquei sabendo da existência dele.

A previsão de cometas para 2013 é bastante animadora. Se você tem planos para comprar um binóculo astronômico, essa talvez seja a melhor hora. A seguir, eu listo e falo sobre alguns dos destaques para o próximo ano, com informações tiradas do site Costeira1, Comet Chasing e Minor Planet Center.

Cometas são massas compostas de gelo, silicatos e compostos orgânicos e brilham devido a interação com a radiação do Sol. Eles podem ter 3 tipos de trajetórias: elipsoidal, parabólica e hiperbólica, dependendo da energia (cinética + potencial) que o objeto possui.

Cometas de trajetória elipsoidal são aqueles periódicos, como o Halley, que dá uma volta em torno do Sol a cada ~76 anos (Hale-Bopp dá uma volta a cada ~2900 anos e Hyukatake a cada ~70.000 anos), e normalmente se originam do Cinturão de Kuiper. Cometas de trajetórias parabólicas ou hiperbólicas, como o McNaught, normalmente se localizam  numa região remota do Sistema Solar chamada Nuvem de Oort, e não são periódicos, ou seja, eles se aproximam do Sol e depois são lançados para o infinito devido à interação gravitacional, para nunca mais voltar (a não ser que sejam perturbados por uma outra estrela e lançados de volta para o Sistema Solar).

A maior parte do cometas descobertos atualmente foi feita por surveys (varreduras automáticas do céu), então qualquer objeto novo recebe um nome padrão seguido pelo nome do projeto que o descobriu. Então, se você quiser pôr um nome legal em um cometa, você vai ter que descobri-lo antes dos surveys (boa sorte! Vai precisar).

Enfim, vamos ao que interessa:

LINEAR (C/2011 F1)

A melhor época para visualização é entre janeiro e fevereiro de 2013. O seu brilho máximo será na magnitude de 9,8, ou seja, visível apenas por telescópios (e tem que ser um bom telescópio em um local sem poluição luminosa caso você queira ver com os próprios olhos).

Ele estará na constelação do Serpentário (Ofiúco). Se você for familiar com astrometria, pode ver as coordenadas do cometa para datas específicas nesta página.

Bressi (C/2012 T5)

Bressi entra na magnitude 10 na segunda semana de fevereiro, entre as constelação do Escultor e do Peixe Austral, e alcançará a magnitude ~8 (visível apenas por telescópios e binóculos) depois de dar a volta no Sol (periélio), aparecendo antes do amanhecer na constelação do Capricórnio.

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Trajetória do cometa Bressi no Sistema Solar interno. Crédito: Costeira1/REA

Diagrama de magnitude do cometa Bressi (Crédito: Costeira1/REA)

Diagrama de magnitude do cometa Bressi. Crédito: Costeira1/REA

Se você é familiar com astrometria, mais informações sobre as coordenadas para datas específicas nesta página.

Lemonn (C/2012 F6)

Agora a coisa começa a ficar mais interessante, porque a partir daqui são os cometas que podem se tornar visíveis a olho nu. Segundo os cálculos de trajetória feitos a partir das mais recentes observações, Lemmon vai estar visível no hemisfério sul nas madrugadas de fevereiro, atingindo a magnitude 3 (tão brilhante quanto o aglomerado de Plêiades) em março.

Ele vai passar por várias constelações do hemisfério sul celeste, como Centauro, Cruzeiro do Sul e Fênix, mas será visível apenas em telescópios. No entanto, entre os dias 10 e 23 de março, ele atinge o brilho máximo durante o anoitecer e será visível a olho nu, na constelação do Escultor. A observação pode ser ainda mais interessante se você tiver binóculos.

Trajetória do cometa Lemmon no Sistema Solar interno (Crédito: Costeira1/REA)

Trajetória do cometa Lemmon no Sistema Solar interno. Crédito: Costeira1/REA

Diagrama de magnitude do cometa Lemmon (Crédito: Costeira1/REA)

Diagrama de magnitude do cometa Lemmon. Crédito: Costeira1/REA

As efemérides (detalhes sobre as coordenadas) podem ser encontradas nesta página.

PANNSTARS (C/2011 L4)

PANNSTARS está embaixo dos holofotes há alguns meses, pois ele foi descoberto em 2011 e desde então suas observações sugerem que ele chegará até a magnitude 0,5, mas aqui no Hemisfério Sul ele atinge até a magnitude 1 (tão brilhante quanto Aldebaran).

Durante meados de dezembro e janeiro, ele pode ser observado em telescópios, atingindo até a magnitude 8, ao amanhecer, na constelação do Escorpião. Ele fará uma conjunção com o cometa Bressi no dia 22 de fevereiro, com uma separação de 9 graus. PANNSTARS atinge a magnitude 3 na última semana de fevereiro, sendo visível a olho nu por um certo tempo após o entardecer, na constelação do Peixe Austral.

Ele atinge o brilho máximo para nós na primeira semana de março, entre as constelações de Aquário e Baleira, durante o fim da tarde e o anoitecer.

Trajetória do cometa PANNSTARS no Sistema Solar interno. Crédito: Costeira1/REA

Trajetória do cometa PANNSTARS no Sistema Solar interno. Crédito: Costeira1/REA

Diagrama de magnitude do cometa PANNSTARS. Crédito: Costeira1/REA

Diagrama de magnitude do cometa PANNSTARS. Crédito: Costeira1/REA

ISON (C/2012 S1)

Esse é o cometa que talvez faça o maior espetáculo no céu, pois prevê-se que seu brilho pode atingir até a magnitude -13 (mais brilhante que a Lua Cheia!). O problema é que ele estará bastante próximo do Sol. Mas se a previsão estiver certa, eu acho que ele pode ser visível durante o dia.

ISON poderá ser observado em telescópios (magnitude 10~8) logo em setembro de 2013, na constelação do Leão, fazendo uma conjunção com Marte e a estrela Regulus no amanhecer do dia 15 de outubro. Ele começa a ser visível a olho nu no início de novembro, na constelação de Virgem, durante o anoitecer. No dia 22 atinge magnitude 1, mas talvez ele esteja muito perto do Sol para ser observado, mas é provável que no dia 28 dê para observar sua cauda no entardecer. Ele manterá magnitude negativa até o dia 1º de dezembro.

Trajetória do cometa ISON no Sistema Solar interno. Crédito: Costeira1/REA

Trajetória do cometa ISON no Sistema Solar interno. Crédito: Costeira1/REA

Diagrama de magnitude do cometa ISON. Crédito: Costeira1/REA

Diagrama de magnitude do cometa ISON. Crédito: Costeira1/REA

E é isso aí. É importante lembrar que essas previsões foram feitas através de cálculos a partir de dados de observação astronômica, e durante o trajeto do cometa para o interior do Sistema Solar, as previsões de brilho e distâncias podem ser modificadas.

E também já é bom avisar os apocalípticos de plantão: não, não haverá colisões cataclísmicas. Cometas normalmente têm trajetórias fora do plano do Sistema Solar, o que diminui vertiginosamente a chance de um deles colidir com um dos planetas. É mais comum haver impactos de asteroides, pois estes sim orbitam no mesmo plano que os planetas.

No entanto, é legal lembrar do cometa Shoemaker-Levy 9, que foi capturado pela gravidade de Júpiter há algumas décadas atrás, e permaneceu orbitando o planeta por vários anos até passar do limite de Roche e seus pedaços caírem nas nuvens do gigante gasoso em meados da década de 90.

Marcas escuras de impacto dos fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter. Crédito: Hubble Space Telescope Comet Team/NASA

Marcas escuras de impacto dos fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter. Crédito: Hubble Space Telescope Comet Team/NASA

Então, comece a fazer reservas na sua agenda para os crepúsculos e as madrugadas de janeiro a março e novembro a dezembro, pois você poderá experimentar momentos que talvez sejam únicos na sua vida. Nunca se sabe quando vai aparecer um outro cometa tão brilhante quanto a Lua Cheia ou mesmo se um deles vai, por puro azar, colidir com a nossa querida Terra, por isso, faça bom proveito!

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