Nós somos feitos de estrelas?

Impressão artística de uma estrela recém-nascida envolta por uma nuvem de gás. Crédito: ESO/L. Calçada/M. Kornmesser

Essa é uma pergunta que me fizeram nesse fim de semana. E a minha resposta foi “sim”. Mas, como? Estrelas são enormes bolas de fogo no céu, e nós somos feitos de proteínas, aminoácidos e água. São coisas completamente diferentes… não?

Primeiro, precisamos entender o conceito de estrelas. Eu já falei sobre elas em posts anteriores, mas basicamente elas são massas gigantescas compostas por enormes quantidades de hidrogênio, hélio e outros átomos. Essa grande quantidade de material acaba gerando campos gravitacionais muito intensos, fazendo com que o material se comprima muito, a ponto de esquentar e ter pressão o suficiente para gerar reações nucleares.

Essas reações nucleares ocorrem nas regiões centrais de uma estrela, e formam elementos cada vez mais pesados. Por exemplo, uma fusão de dois átomos de hidrogênio (o elemento mais leve do universo) forma um átomo de hélio. Átomos de hélio também podem se fundir para formar outros elementos, mas a partir daí as reações começam a ficar bastante complicadas, e não vale a pena explicar aqui.

Uma estrela como o Sol é capaz de produzir elementos como o carbono, oxigênio e nitrogênio durante a sua vida. Esses elementos fazem parte das cadeias moleculares fundamentais para o surgimento da vida. Para você ter uma ideia, a atmosfera da Terra é quase 80% composta de nitrogênio, e o nosso corpo é 70% água (hidrogênio + oxigênio). Só que aqui no Sistema Solar não tem apenas esses materiais, também temos ferro, níquel, silício e chumbo. Como todo esse material mais pesado veio parar aqui, se o Sol não é capaz de produzi-lo?

Bom, a única explicação plausível é que ele veio de outra estrela. Elementos pesados são produzidos por estrelas que também são bem mais pesadas que o Sol. E o pior de tudo, todo esse material está confinado no núcleo da estrela! Como tirar de lá? Basicamente, a maneira mais comum de retirar esse material é literalmente explodindo o astro: através de uma supernova. Um evento como esse ocorre quando as camadas mais externas da estrela não suportam a energia gerada no seu núcleo, e por isso acaba explodindo.

Nebulosa do Lápis, uma nuvem de material formada por uma supernova que ocorreu há 11 mil anos atrás. Crédito: ESO

É importante notar que a vida de uma estrela depende muito de sua massa. Estrelas mais massivas (grandes e pesadas, muito maiores que o Sol) consomem seus elementos químicos bem rapidamente, numa questão de alguns milhões de anos (o que é pouco tempo em escalas astronômicas), e por isso vivem menos.

Acredita-se que há alguns bilhões de anos atrás, quando o universo ainda estava dando seus primeiros passos, o surgimento de estrelas massivas era bem mais comum do que atualmente. Todas elas eventualmente produziram carbono, nitrogênio, oxigênio, silício, níquel, ferro, ouro etc. e depois explodiram em supernovas, que espalharam os elementos pelo espaço. As nuvens formadas por esses elementos mais pesados vieram a se aglomerar através de sua própria gravidade para formar outras estrelas, como uma reciclagem de material.

Messier 17, uma nuvem molecular onde está ocorrendo nascimento de estrelas. Crédito: ESO/INAF-VST/OmegaCAM

Há bilhões de anos atrás, uma dessas nuvens eventualmente veio a criar o que nós conhecemos como o atual Sistema Solar: todo esse material acabou formando o Sol, os planetas, luas, cometas, asteroides, a Terra, as rochas, as plantas, os animais, os oceanos, os humanos… E é por isso que, sim, nós somos feitos de estrelas! Estrelas essas que eram muito mais massivas que o Sol, e no fim de suas vidas vieram a explodir cataclismicamente; e não foi em vão, visto a beleza e vivacidade desse sistema estelar em que moramos.

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