Ciência em casa: você pode ser o primeiro a descobrir vida extraterrestre!

Não, eu não estou falando da “experiência do dia” da Eliana ou dos experimentos malucos do Mundo de Beakman (apesar de este ser um programa magnífico). Você pode fazer ciência de verdade, com resultados úteis, aí na sua casa!

Eu conheço bastante gente que gosta (ou pelo menos tem um mínimo interesse) em ciências, no geral. Eu sempre notei que a Astronomia é uma daqueles assuntos que mais desperta o interesse de qualquer um, porque lida com coisas consideradas “místicas”, com situações completamente diferentes do cotidiano (como os buracos negros) e também pela beleza do céu e dos astros. Mas mesmo assim, são poucas as pessoas que fazem alguma contribuição para a evolução das ciências.

Atualmente, vivemos uma época em que as pesquisas e o desenvolvimento de novas tecnologias exigem cada vez mais mão de obra e potência computacional. E por mais que se abram vagas em instituições de pesquisa e estas comprem os mais avançados computadores disponíveis por aí, sempre vai haver uma alta demanda desses itens no mercado de trabalho em P&D, principalmente no meio acadêmico.

Felizmente, nos últimos anos acabaram surgindo algumas ferramentas que vieram para sanar uma parte dessa dificuldade. É o que costuma-se chamar de citizen science, ou, numa tradução que na língua portuguesa soa extremamente demagoga, ciência cidadã. Citizen science consiste basicamente em os cidadãos do mundo que são interessados por ciência contribuírem de alguma forma para pesquisas, seja através de potência computacional, mão de obra, ou até mesmo dinheiro.

Eu não vou entrar muito profundamente na questão de contribuição em dinheiro, porque eu não acredito que seja do costume dos brasileiros fazer esse tipo de doação para instituições ou iniciativas científicas (até porque são poucos de nós que temos condições financeiras para tal). Lá nos EUA, por exemplo, o dinheiro doado para uma iniciativa como esta pode ser descontado do imposto de renda. Eu não sei se isso é possível no Brasil (estou quase certo que não), mas seria um incentivo interessante, talvez.

Mas peraí, como eu posso ser o primeiro a descobrir vida extraterrestre?!

Então, o título deste post pode ter sido meio sensacionalista, mas essa é uma oportunidade real. Vou citar alguns projetos que eu conheço. O primeiro exemplo de citizen science que me vem à cabeça é o BOINC. Esta é uma plataforma de computação em rede que utiliza o poder de processamento do seu próprio computador (esse que você tá usando aí) para fazer cálculos avançadíssimos, que por sua vez serão utilizados em pesquisas científicas.

BOINC é muito fácil de se usar: você instala um programa no seu computador e você escolhe o(s) projeto(s) que quer participar. Pronto. O software vai escolher os momentos em que seu PC estiver utilizando pouco processamento (como quando você está apenas navegando pela internet, ouvindo música, ou utilizando um editor de textos) e vai usar o poder do seu computador para fazer ciência, tudo automaticamente. E o legal é que enquanto o computador trabalha, ele pode exibir protetores de tela com gráficos e imagens interessantes. E não precisa se preocupar com vírus ou travamento de computador, todo o sistema é bastante seguro.

O projeto mais famoso do BOINC é, de longe, o SETI@home (Search for Extraterrestrial Inteligence at home – em tradução livre: Procura por Inteligência Extraterrestre em casa), derivado do antigo SETI (aquele do filme Contato). Até hoje ainda não foi descoberto nenhum sinal extraterrestre, mas quem sabe você pode ser o sortudo? Provavelmente o nome da pessoa que eventualmente descubra algo (mesmo que tenha sido pelo BOINC) vai ficar marcado na história da humanidade. Mas os projetos não se limitam à Astronomia, também há aqueles dedicados à descoberta de curas para doenças, previsão meteorológica, cosmologia, tecnologia de ponta etc.

Outro projeto de citizen science que eu conheço, e que tem bastante resultado, é o Planet Hunters. O objetivo é encontrar planetas extrasolares (exoplanetas) entre vários candidatos. Este já exige mais tempo e esforço, pois você terá que analisar imagens que na maioria das vezes são falsos positivos, mas pelo menos são resultados (e é o que mais importa nessa iniciativa). As chances de se encontrar um exoplaneta são bem maiores (para não dizer infinitamente maiores) do que encontrar vida extraterrestre, mas nesse caso não vai haver tanto furor na mídia científica, afinal quase todo dia descobrem algum exoplaneta por aí. Mas você não faria citizen science somente pela fama, faria?

Outro projeto que eu também acho interessante é a tradução de textos de divulgação científica da câmera HiRISE (aquela que tirou fotos da Curiosity descendo em Marte), mas é mais para quem tem bastante conhecimento em inglês e pelo menos conhece um pouco de ciências do solo.

Para quem tem acesso a telescópios suficientemente potentes, eu recomendo a participação na AAVSO (Associação Americana de Observadores de Estrelas Variáveis) ou no projeto Target Asteroids!, da NASA.

E para aqueles que simplesmente querem observar o céu sem compromisso, mas com telescópios relativamente poderosos, e sem precisar investir milhares de reais no hobby, é possível utilizar o iTelescope, um site que disponibiliza telescópios pelo mundo para quem estiver disposto a pagar uma certa quantidade por hora de uso! Eu particularmente acho mais interessante ir a um planetário, ou uma universidade, ou um observatório mais perto, já que essa opções normalmente saem de graça.

Eu entendo que tudo que eu apresentei foram iniciativas internacionais. Eu não conheço muitos projetos brasileiros como esses. Eu imagino que as instituições de pesquisa e desenvolvimento pelo nosso país tenham algum programa de divulgação científica, e é provável que eles aceitem voluntários ou visitas técnicas para grupos de estudantes ou curiosos. Por exemplo, eu sei que o LNA (Laboratório Nacional de Astrofísica) tem um programa de observação do céu para estudantes, o que é uma forma de incentivar a participação dos mesmos na ciência.

Caso você conheça outros projetos por aí (sejam eles nacionais ou não), fique à vontade para falar nos comentários!

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2 Respostas para “Ciência em casa: você pode ser o primeiro a descobrir vida extraterrestre!

  1. Parabéns, muito bom. Na minha infância, a 20 anos atrás tive contato imediato de Primeiro Gral, ou CI-1 com um OVNI. Acho uma loucura como muitas pessoas são absurdas, em afirmarem que não acreditam em vida extraterrestre, vidas intraterrenas (Habita ao centro da terra), Ovnis (Objetos voadores não identificados) e Osnis (Objetos submarinos não identificados) por não terem contatos ou não buscarem a verdade, mas afirmam acreditar em tudo o que a Bíblia afirma simplesmente porque está escrito lá…Nem eu mesmo sabia mas como eu estou sempre na vanguarda das informações, acho que as pessoas esquecem que a Bíblia foi escrita por um concilio escolhido a mando de um imperador romano Constantino, que precisava do apoio do Cristianismo para se manter no poder, mantendo fora das “Escrituras Sagradas” tudo que fosse contrario aos seus interesses na época, e ainda hoje a Bíblia é interpretada de acordo com os interesses de cada um… se o prezado que diz que não acredita em ETS simplesmente porque nunca viu um, então como pode ser tão contraditório ao afirmar que acredita na Bíblia simplesmente porque está escrito… Só existe o planeta terra com capacidade de ter vidas no Universo? Nosso planeta é uma anomalia no Universo? Para terminar o ser Humano deveria ser mais Humilde e aceitar que nenhum Deus que fosse tão poderoso e inteligente criaria um Universo com bilhões de Galáxias e tornaria habitável só o nosso pequeno planeta da Via Láctea,habitado por uma raça que se mata entre si pela ganância, destrói seu meio ambiente e ainda acredita ser os escolhidos, cada vez que deparo com o Fanatismo nas sua mais variadas formas, mais me convenço que o homem não consegue ver alem de sua pobre fragilidade mortal e quer a todo custo um lugarzinho No “céu” vendido por pessoas que exploram a crendice destes fanáticos. Que desperdício de tempo e inteligência… Por ultimo gostaria de esclarecer que a 1ª Bíblia só foi escrita oficialmente depois de 300 anos por Gutembrg, depois de sabatinada novamente por outro concilio que a adaptou as necessidades da época. Então de acordo com as minhas informações e pesquisas, gostaria de informar que recentemente os católicos retiraram das suas verdades absolutas, definitivas, imutáveis, infalíveis, inquestionáveis e absolutamente seguras o conceito de Purgatório, por não terem conseguido responder a uma pergunta. Antes do Batismo de Cristo, não havia Batismo então bilhões de almas das pessoas que existiram antes de Cristo e que não foram Batizadas estavam condenadas ao Purgatório simplesmente porque não sabiam que existia uma coisa chamada “Batismo”. Como eu disse que tive um contato de 3º Grau com apenas um OVNI 20 anos atrás me faz acreditar em muitos relatos comprovados por cientistas sérios e não ser massa de manobra de uns poucos que se intitulam senhores absolutos da ignorância levando milhões de crédulos a praticarem atos muitas das vezes condenáveis em nome de uma Fé e de algo para o qual não existe nenhuma prova científica. Fico feliz por pessoas que se interessam por este tipo de assunto, são pessoas especiais por procurarem “A verdade” em meio a tantas mentiras.
    Josagno Motta.

    • Josagno, apesar de eu apoiar suas ideias anti-dogmáticas da igreja, eu acho bem improvável que os objetos que você viu no céu ou as experiências que teve tenham sido contato com extraterrestres. Apesar de existirem possibilidades de vida em algumas luas do Sistema Solar, a chance de existir vide inteligente nelas é praticamente nula. Com relação a outros sistemas estelares, eles estão por demais longes de nós, e uma viagem de outra estrela para cá demandaria muita energia, muito tempo, e uma baita duma sorte para chegar justamente aqui na Terra!

      O que o SETI faz é tentar detectar ondas eletromagnéticas que caracterizam a atividade de vida extraterrestre inteligente em outros sistemas estelares: isso é possível porque as ondas conseguem viajar na velocidade da luz, ao contrário de naves, e mesmo assim, podem levar milhares ou milhões de anos para chegar aqui na Terra. Se o SETI algum dia tiver um resultado positivo, é muito provável que o sinal seja de uma população extraterrestre já extinta.

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