Especial: a aterrissagem da Curiosity [atualizado]

Engenheiros da NASA comemorando a aterrissagem bem sucedida da Curiosity

*Post atualizado com vídeo

Nesta madrugada eu passei 4 horas na frente dos meus computadores acompanhando a aterrissagem (ou seria amartissagem?) da Mars Science Laboratory (MSL), ou Curiosity para os íntimos. Em um dos PC’s eu assistia um hangout no Google+, enquanto no outro PC passava a transmissão ao vivo da NASA pelo Ustream e a animação do Eyes on the Solar System.

A ansiedade estava estampada no rosto de todos, e acabou me contaminando também. Faltando meia hora para a confirmação de sucesso ou desastre, até seres extremamente céticos como cientistas apelaram para a superstição: comer amendoins antes de uma aterrissagem de um empreendimento da NASA é dito trazer sorte. Numa hora como essas, qualquer ajuda vale a pena, mesmo que seja psicológica, não?

A animação do Eyes on the Solar System mostrava exatamente como seria pousar em Marte através dos olhos da Curiosity, em tempo real. Assistir aquilo era uma forma de ocupar a cabeça enquanto o sinal de confirmação levava 14 minutos para chegar à Terra. A cada etapa bem sucedida, as pessoas na NASA ovacionavam o feito. No momento em que se ouviu “touchdown confirmed”, foi uma explosão… de alegria! Era impossível não se juntar a eles e também abrir um grande sorriso.

Primeiras fotografias tiradas pela Curiosity em solo marciano. Crédito: NASA

Naquele momento, eu não pude evitar de me sentir orgulhoso por fazer parte deste mundo, da exploração e descobrimento do que tem lá fora. É uma injeção de ânimo para qualquer cientista ou engenheiro envolvido na astronomia; é como se você voltasse à sua infância e revivesse aquele momento que você abre um presente e vê um brinquedo novo depois de esperar ansiosamente por aquele momento especial.

No entanto, para os funcionários da NASA, a aterrissagem segura da Curiosity tinha um significado ainda muito maior e mais crucial; não era apenas um “carrinho” explorador a mais que pousava em Marte, não era dinheiro público sendo gasto em coisas supérfluas, não era um brinquedo do Obama, não era uma máquina fotográfica de custo bilionário… O pouso da Curiosity era aquilo que garantia para eles um emprego e um salário no dia seguinte. Não era por menos que comemoravam o feito como se tivessem ganho uma medalha de ouro nas Olimpíadas.

Mas além de poder observar a reação de entusiasmo das pessoas envolvidas, não pude deixar de notar também a reação do público em geral, através dos comentários do YouTube e do Ustream. E é aí que a coisa fica um pouco mais interessante. Uma boa parte das pessoas fazia perguntas sobre a missão, algumas delas nem faziam ideia do esforço e tecnologia envolvidos na empreitada; mas uma parte do público se limitava a tentar insultá-los de nerd ou fazer piadinhas; e uma delas eu achei até criativa: se a Curiosity pousar, veremos várias crianças de pais nerds nascendo em maio.

Eu não chamo isso de inveja, não. Eu acho que um público como esse simplesmente não tem noção do quão grande é esse feito, e ver pessoas inteligentes e bem sucedidas comemorando é algo inconcebível e irreal. Por isso sua única reação é essa. Dizem por aí que os insultos e palavrões são nada mais são do que o retrato da falta de vocabulário. Talvez esse público ache mais normal comemorar a vitória do seu time de coração…

Uma outra reação que eu também achei bastante pitoresca foi uma parte do público negar que aquilo realmente estava acontecendo, que era apenas uma armação, assim como foi o pouso na Lua em 1969. Mal sabem eles que uma fraude dessa magnitude seria facilmente desmascarada por outros institutos de pesquisa espacial (principalmente os russos) que também monitoram o planeta Marte e a Lua; além disso, existem as evidências científicas e fotográficas, mas eu não vou me extender nessa explicação, você pode procurar no Google ou assistir a um episódio dos Mythbusters em que eles provam que astronautas estiveram de fato na Lua.

Eu penso que no meio científico, não é uma questão de acreditar ou desacreditar, mas sim uma questão de encontrar evidências que dão ou tiram credibilidade de um fato ou conhecimento. E, para mim, foram apresentadas evidências suficientes de que essas coisas aconteceram; isso não significa que eu acredite piamente que são realidade, mas sim que eu poderia apostar minhas moedinhas naquilo.

Mas no meio de todo esse furor, eu não pude deixar de me sentir um pouco triste. Quando eu vi engenheiros da NASA em êxtase pela tela do computador, me lembrei o quanto os engenheiros são subutilizados aqui no Brasil: uma enxurrada de profissionais de engenharia se graduam todo ano, muitos deles com talentos e potencial inexplorados, ficam relegados a trabalhar em empregos estagnados e exploradores, trancafiados em escritórios, reuniões chatas, assinando papeis e respondendo e-mails… enquanto muitos engenheiros pelo mundo trabalham em projetos realmente transformadores e inovadores, em tecnologia de ponta ou no descobrimento de coisas novas.

Eu quero fazer parte desse mundo de descobrimento. E nada mais animador e inspirador do que acompanhar de perto um dos maiores feitos da ciência espacial nos últimos anos. Será que algum dia vai ser eu que estarei comemorando loucamente uma vitória como essa?

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