Especial: Marte e a missão Curiosity

Mars Rover Curiosity, ou Mars Science Laboratory, o novo veículo de exploração de Marte (montagem). Crédito: NASA

Qualquer pessoa que esteja ligada nas últimas notícias do mundo das ciências sabe que todos nós estamos de olho em Marte e na missão Curiosity. E nada melhor para celebrar este passo na exploração espacial do que escrever um post especial sobre o assunto! Marte é o planeta mais parecido com a Terra em todo o Sistema Solar, e isso é que alimenta a nossa curiosidade para descobrir todos os segredos deste local.

Apesar da semelhança, Marte é extremamente inóspito. Se alguém fosse transportado para lá neste momento, essa pessoa não iria conseguir viver por nem uma fração de segundo: seu corpo iria explodir de dentro para fora. Isso acontece porque o corpo humano foi moldado ao longo das eras para suportar a pressão específica do nosso planeta, então a pressão interna do corpo é igual à pressão externa. Como a pressão de Marte equivale a apenas 1% da Terra, a pressão interna do nosso corpo causaria o rompimento dos tecidos macios (vasos sanguíneos, pele, olhos etc.)

Além do problema da pressão, a atmosfera de Marte é 98% composta por dióxido de carbono, então não conseguiríamos respirar lá. Mas uma descoberta recente fez todos os cientistas do espaço ficarem com uma pulga atrás da orelha: durante o verão e outono marcianos, aparece uma quantidade significativa de metano na sua atmosfera!

Mancha de metano em Marte. Crédito: NASA

O metano é um gás que se decompõe rapidamente quando recebe radiação ultravioleta do Sol. Como Marte possui uma atmosfera muito rarefeita, a carga dessa radiação no planeta é bem grande, então o metano deveria se decompor e nem seria detectado. Aí é que o bicho pega: se nós conseguimos detectar o metano lá, é porque existe alguma fonte que alimenta a atmosfera marciana com esse gás.

Acredita-se que a origem do metano na atmosfera marciana venha do subsolo. O problema é que não se sabe se ele está sendo produzido por alguma antiga forma de vida microbiana ou se é apenas fruto das atividades geológicas do planeta. “Baseado-nos em evidências, o que temos é, inequivocamente, as condições para o surgimento da vida estiveram presentes em Marte – ponto final, fim de papo” disse Michael J. Mumma, cientista sênior da NASA. “Então vida pode certamente ter surgido lá” completou.

Um dos objetivo da Mars Rover Curiosity é justamente estudar mais profundamente a composição química de Marte, tanto é que o nome oficial do veículo é Mars Science Laboratory (Laboratório Científico de Marte), de modo a podermos analisar se há ou houve vida e planejar melhor missões tripuladas para o planeta.

Mas você pode se perguntar: não seria mais eficiente enviar uma equipe de astronautas para lá? Talvez sim. O problema é que os custos e riscos envolvidos em uma empreitada como esta são altamente proibitivos. Neste caso, seriam necessários equipamentos sofisticadíssimos de suporte à vida para os astronautas, além de muito alimento e combustível suficientes para as viagens de ida e volta (cada uma dura cerca de 8 meses, com a tecnologia atual). Outro problema é como sair de Marte; aqui na Terra é relativamente muito fácil lançar um foguete e atingir a velocidade de escape. A dificuldade para fazer isso em Marte é inimaginável.

É por essas e outras que eu acredito que uma missão tripulada para o planeta vermelho não vai ocorrer tão rapidamente. Apesar de vários esforços para que isso aconteça na década de 2020, eu penso que a tecnologia e os esforços necessários ainda continuarão sendo barreiras impenetráveis, pelo menos na primeira metade do século XXI.

Mesmo sendo apenas um veículo robô, conseguir pousar em Marte vai ser uma aventura épica para a Curiosity: até hoje, apenas 30% das máquinas enviadas para solo marciano sobreviveram ao difícil pouso. Neste exato momento em que estou escrevendo, Curiosity está sofrendo aceleração devido à gravidade de Marte, e a atmosfera rarefeita do planeta não vai ajudar na desaceleração: a velocidade da nave vai atingir cerca de 5.900 m/s, ou 21.240 km/h). O vídeo a seguir é uma animação que mostra como será o pouso e o funcionamento da MSL.

E é por isso que a ansiedade está aos poucos (?) invadindo o coração de todo entusiasta das ciências espaciais neste momento: tudo está sendo arquitetado com extremo cuidado e precisão, e qualquer erro vai refletir no fracasso dessa empreitada que custou 2,5 bilhões de dólares, e consequentemente às missões tripuladas à Marte.

Na madrugada do próximo domingo para segunda, será transmitida no Google+ (e YouTube) uma cobertura ao vivo (em inglês) do pouso da Curiosity. Se você entende inglês e está curiosíssimo para saber do destino da exploração espacial para os próximos anos, você não poderá perder. Vou divulgar o link da transmissão no meu Twitter, então fique ligado!

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