Essencial: Eta Carinae

Imagem composta em raio-X e visível de Eta Carinae e a nebulosa do Homúnculo (NGC 3372). Crédito: NASA/CXC/GSFC/M.Corcoran et al. (raio-X); NASA/STScI (visível)

Essencial é uma série de posts que contém um resumo dos fatos e informações mais interessantes sobre um um objeto específico no céu. O astro do post Essencial dessa semana é a famigerada estrela Eta Carinae. Se você nunca ouviu falar dela, prepare-se para ver a sua mente voando pelos ares em mil pedacinhos.

Eta Carinae foi catalogada pela primeira vez por Edmond Halley, em 1677, com uma magnitude na ordem de 4; seu brilho aumentou para a magnitude 2 em 1730, depois caiu para 4 de novo em 1782. Em 1801, teve mais um pico de brilho, que novamente caiu para 4 em 1811. Nove anos depois, a estrela começou a aumentar seu brilho lentamente até atingir a segunda manitude em 1822, e primeira magnitude em 1827. Após de 5 anos, voltou para a magnitude 2, e logo depois aumentou para zero. Seguido de mais um ciclo de variabilidade, Eta Carinae atingiu seu brilho máximo registrado até hoje em abril de 1843, quando atingiu magnitude -1,0; Eta havia se tornado mais brilhante que todas estrelas no céu, exceto Sirius. Após este período, a estrela foi perdendo o brilho continuamente, até se tornar invisível a olho nu em 1868. Com apenas mais dois picos de magnitude em 1870 e 1889, Eta Carinae não foi mais a mesma.

Foi somente na década de 1990 que Eta Carinae se tornou visível a olho nu novamente (mas somente em locais sem poluição luminosa), atingindo magnitude da ordem de 6. Em 1998, a estrela novamente teve um pico de brilho, quando aparentemente dobrou o seu brilho. Esse comportamento errático sempre foi uma incógnita para os astrônomos, até meados da década de 2000.

Estudos mostram que Eta Carinae é uma das estrelas mais massivas já observadas na história da astronomia, com uma massa estimada entre 100 e 150 massas solares. 99% de sua energia é irradiada no infravermelho, tornando-a a estrela mais brilhante no céu neste comprimento de onda (entre 10 e 20 micrômetros).

Por ter uma massa tão absurdamente alta, Eta Carinae é uma estrela muito instável: as violentas reações nucleares no centro causam uma forte pressão de radiação para a direção externa da estrela, o que resulta em ejeções de massa. Na verdade, quando teve o aumento brusco no brilho no século 19, astrônomos acreditavam que havia acontecido uma supernova. Segundo estudos recentes e observações feitas no observatório do Pico dos Dias, Eta Carinae tem um ciclo de atividade de aproximadamente 5,5 anos. Essas observações também sugerem que esta estrela na verdade é um sistema binário.

Localizada na Grande Nebulosa de Carina (constelação da Quilha, no extremo-sul do céu), uma região de formação de estrelas muito massivas, Eta Carinae tem um tempo de vida estimado em apenas 3 milhões de anos, e estudos recentes mostram que ela está próxima da sua fase final. É isso mesmo que você está pensando: Eta Carinae vai explodir em uma supernova nos próximos anos; de fato, vai ser uma hipernova, devido à sua altíssima massa. Será um espetáculo que poucas gerações da humanidade puderam ou poderão contemplar no céu. Acredita-se que quando explodir, Eta Carinae estará visível no céu mesmo durante o dia. Você já imaginou que veria uma outra estrela no céu diurno que não fosse o Sol?

O problema é que não se sabe exatamente quando a explosão vai ocorrer. A física, os métodos de estimativa e as informações atuais não permitem que se calcule com precisão a exata idade de Eta Carinae, muito menos o exato momento em que entrará em supernova.  Pode ser hoje à noite, pode ser daqui a mil anos…

O episódio ocorrido no século XIX foi o que costuma-se chamar de falsa supernova, e não é a primeira vez que isso acontece. Houve um outro caso de uma estrela que fez uma falsa supernova, e dois dias depois explodiu em uma verdadeira supernova; mas a estrela em questão estava bem mais com o “pé na cova” do que Eta Carinae, então acredita-se que a possibilidade de esta entrar em supernova nos próximos anos é muito baixa. Estudos mais recentes sugerem que isto vai acontecer daqui a alguns milhares de anos.

Apesar dessa dúvida, já podemos ter um espécie de “versão demo” da nebulosa resultante de uma supernova em volta de Eta Carinae, é a chamada Nebulosa do Homúnculo. Acredita-se que essa nuvem de gás foi formada no episódio de ejeção de massa ocorrida em 1843 (aquele que fez Eta Carinae ser uma das estrelas mais brilhantes no céu). É um objeto de difícil observação: apenas os maiores telescópios vão conseguir identificar a nebulosa no céu.

Bom, o que nós podemos fazer agora é simplesmente torcer para que Eta Carinae nos engane, e exploda logo. Ela está entre 7500 e 8000 anos-luz longe do sistema solar, pode ser que ela já tenha explodido em supernova há muito tempo, só que essa informação ainda não tenha chegado a nós.

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