Como seria ver algo na velocidade da luz?

Essa é uma pergunta que muita gente me faz. Com a popularização da Relatividade, formulada por Albert Einstein, muitos dos efeitos bizarros estudados na Física Moderna acabaram ficando bem conhecidos, como o paradoxo do gêmeos.

A Relatividade Especial diz, basicamente, que a velocidade limite no nosso universo é a velocidade da luz, que é aproximadamente 300 mil km/s, e que esta é a única coisa absoluta. Para podermos analisar os efeitos da relatividade, é necessário entender algumas das implicações desse postulado; limitemo-nos à contração do espaço e à dilatação do tempo.

Quanto mais um objeto se aproxima da velocidade limite, mais o espaço que ele percorre se contrairá, ou mais o seu tempo será dilatado. Mas o que significa isso? Bem, isso é facilmente ilustrado pelo paradoxo dos gêmeos: um deles viaja em um foguete próximo da velocidade da luz, e outro fica aqui na Terra; depois de 50 anos terrestres, o gêmeo que ficou na Terra estará velhinho, enquanto o que estava viajando ainda estará jovem.

Mas agora vem a parte mais legal, e talvez mais assustadora. Imagine que você seja um fóton (uma partícula de luz) no vácuo. O tempo que você vai perceber durante a viagem de um local para outro qualquer vai ser zero, pois você está na velocidade limite, logo a contração do espaço será máxima. Mais bizarro ainda: como a dimensão que você viaja está em contração máxima, você não irá percebê-la: você vai enxergar o universo em 2D!!! Mas se o tempo que você gastou na viagem foi de zero, você não percebeu o universo (e sua natureza bidimensional) no trajeto, logo é como se você tivesse feito uma “viagem no tempo” (para o futuro). Mas que diabos?!

E se um objeto mais palpável, como um carro, estivesse à velocidade da luz, como nós o veríamos? Bom, com a contração do espaço, você poderia imaginar que veria um carro achatado passando a 300 mil km/s… mas não é bem assim, a coisa é bem mais complicada do que parece. Primeiramente, é necessário entender que nós enxergamos a luz refletida por um objeto, e não ele em si. Em segundo lugar, como o carro é um corpo extenso (possui dimensões), nós enxergamos cada parte dele em um tempo diferente.

Pulando as explicações mais complicadas… Se um carro estivesse muito próximo da velocidade da luz, o que nós veríamos não seria um carro achatado, mas sim um carro deslocado em um ângulo, como se estivesse dando um “cavalinho de pau” a 300 mil km/s.

O problema é que… isso é praticamente impossível! Quanto mais pesado é um objeto, mais energia é necessária para fazê-lo se aproximar da velocidade da luz, e a energia necessária para fazer isso com um carro é simplesmente descomunal! Para se ter uma ideia, o fóton livre (que não faz interações) possui massa de repouso* nula, por isso ele consegue viajar na velocidade da luz.

Tudo isso é muito legal e intrigante, mas a relatividade ainda é um assunto sensível para algumas pessoas. Aparentemente, muita gente por aí insiste em dizer que Einstein estava “errado”; jogue no Google pra dar uma conferida. E com isso vem um enxurrada de teorias contra-relatividade, uma pior que a outra. Alguém deveria explicar para essas pessoas que a Relatividade Especial já foi comprovada experimentalmente, e é facilmente reproduzível em laboratório… e talvez até no cotidiano: o GPS (Sistema de Posicionamento Global) utiliza efeitos relativísticos para encontrar sua posição na Terra!

O que você pode concluir deste post? Que carros não podem dar cavalinhos de pau a 300 mil km/s e que quem não acredita na relatividade também não acredita no GPS.

* Massa de repouso é aquela medida em um referencial no qual o objeto em análise está parado.

Anúncios

Uma resposta para “Como seria ver algo na velocidade da luz?

  1. Adorei seu post… só vi agora (apesar de já ter um ano) Bem, essa é uma prova de que o Google só “pensa” que sabe o que desejamos quando efetuamos uma busca. Eu achei aqui por acaso, durante uma busca por uma imagem. Que pena que tão pouca gente consegue entender do que se trata esse e outros assuntos tão interessantes.

Fique à vontade para comentar, aqui não há certo ou errado, nem censura de ideias. Mas, por favor, seja claro e, acima de tudo, use pontuação. Comentários ininteligíveis ou ofensivos não serão publicados.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s